Somente...
Estou em um lugar onde a aurora sofre, tudo é irreal para mim, o por do sol que me chama clamando a escuridão por vir, eu juro que meu amor é verdadeiro, mas... Quem se importa, tão estranha é essa tela arqueada e padrões se tornam em contornos, a escuridão em torno de mim é tão densa que me sufoca todos os dias, mais e mais, um terremoto de sensações preenchem o espaço astral deixando minha agonia ainda maior, como foi que ousei abrir meu coração? Minhas lágrimas são meu último presente a você, um coração despedaçado e prestes a parar, como foi que ousei acreditar que você seria minha salvação, quando você na realidade, foi minha condenação, e mesmo no calor sinto meu coração congelar e nem as chamas poderosas do sol podem me aquecer, sinto meu coração chorando em desespero clamando por salvação, e da vida radiante que me prometera só restam estas lágrimas que nunca secam, e agora estou lentamente me curvando ao horror e medo da morte que se aproxima, sinto minhas forças esvaindo como o árido oceano mais profundo, chuviscando suaves gotículas como no deserto, meu clamor nunca mais será ouvido, e tu, minha amada imortal, agindo como se nada estivesse acontecido, junto com os redemoinhos em sua cabeça, ignorando o ignorado, sem querer saber de sua existência, como páginas de um livro nada interessante e jogado a sua própria sorte, meu espírito foi petrificado, meu olhar antes forte e destemido, hoje triste e dilatado por tantas lágrimas, tentando se libertar da dor, perfurando através desses grilhões gelados onde fico preso ao cruel sentimento chamado amor, de alguma forma tento me lançar em torno dessa nebulosa de desespero, recusando-me a desistir, recusando-me a entrar na longa e fria noite, sonhando em mais uma vez pegar em suas mãos e caminhar juntos seguindo um mesmo propósito, poderia eu me libertar do doloroso e cruel sentimento chamado amor, poderia eu me jogar ao sim da tristeza e dançar com a bela morte na flor do inverno? Uma coisa é certa, tudo que foi, jamais será novamente e minha mente torturante não para de pensar, quão cruel é o destino de quem ama incondicionalmente, quão cruel é o destino dos tolos que se dão ao luxo de amar, quão tolo fui em acreditar, as pálidas manhãs que emergem mostram a verdade inquietante, os gritos em silêncio não me deixam dormi, a cada momento as batidas do meu coração vão se desacelerando, indo ao contrário do que o grande universo deseja, de onde vem essa dor, de onde vem essa angústia, de onde vem essa tristeza, nasci como um tolo, vivi como um tolo, amei como um tolo, amo como um tolo, logo desaparecerem, tal qual o tolo que sempre fui. Acorde agora ó alma enegrecida pela dor, suba aos céus, contemple o esplendor da desesperança, grite sobre a mais alta montanha, mas de nada adiantará, nós somos o que nós somos, e isso jamais irá mudar, sonhos são apenas sonhos, palavras são apenas palavras, e eu... Sou somente eu, isso jamais irá mudar.
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